Fazendo arte!
Quando eu era criança a arte que eu conhecia era terra com
areia que virava barro pelo corpo todo, copo de leite derramado no sofá, parede
colorida, mesa rabiscada e um tanto de arte de menina moleca. Ai a gente cresce
e a arte fica mais bonita, encorpada, na forma de um mural ou pregada na
parede. A arte vira tinta, purpurina, filho com os pés na areia, descobrindo o
seu barrinho da infância. Re-criando e re-ciclando um ciclo novo de humor, cor
e amor!
Seja um berço que chega, um cavalinho de madeiras que desce
do sóton pro pequeno balançar. Um caixote que vira prateleira e muda de
identidade. A rede que vira a cama do gato, a cortina que ganha um tye dye. Há formas
e re-formas de mudar sem gastar uma grana e deixar o cafofo com uma cara
bacana! A moda é... Ser você! Ser uma parede azul calcinha, uma gaveta com
margaridas plantadas, uma varanda com pimentas e cebolinhas no vasinho. A moda
é não ter medo do novo, do abusado, do exagerado, do simples demais! Do abismo
que se cria entre o nada e o tudo, o bege e a estampa. O segredo é fazer nascer
do abismo um campo de erva cidreira e fazer um chá no final da tarde!
Muitas marcas e grifes que dizem tudo mas não falam nada. Te
sufocam e te arrancam a personalidade num passar de cartão de credito na
maquininha. Te tiram a liberdade de gostar do brega. Do fusca, do azulejo de
flor da casa da vó, do tapete da feirinha, do sapato do brechó. Compram sua cor
e te vendem a deles. Isso pode, isso usa, isso serve. Metem o dedo na porta da
sua casa cheios de isso e aquilo e você acaba não sendo ninguém, só igual!
Então a dica é, re-usar, re-inventar, re-amar e de novo,
re-criar!!! Vamos arregaçar as mangas e
enfeitar o cafofo de flores e cores que o coração gosta, sem regra, sem
consumismo e abismo!

